A FRASE!

CaRpE dIeM!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Há vida no banco?!

Dia desses entrei em um banco, em Nilópolis, pois tive a inocente (e idiota) idéia de que lá poderia estar mais vazio. Para a minha "surpresa" estava lotado, mas, como já estava por ali, decidi ficar.

A fila mais parecia um caracol desorientado, não dava para reconhecer onde era o fim. Depois de uns minutos de dúvida, perguntando a todos a minha volta e percebendo aqueles olhares de desdém (como se eu quisesse roubar seus digníssimos lugares na fila), um senhor, com uma carinha muito simpática e me olhando como se eu fosse uma idiota, e acho que até era, indicou-me o tão procurado fim da fila. Acomodei-me, com minha sacola, pastas e livros, ossos do ofício de uma professora não motorizada. Decidi pegar na pasta meu "Manual de desculpas esfarrapadas", novo livro de cabeceira, de fila, de bobeira, enfim, o livro para ser lido na hora que dá. Estava começando a me "inserir" na leitura e senti um catuco no braço, era uma senhora pequenina, menor que eu, acreditem, isso é possível... rs... pediu-me para guardar o seu lugar, pois tinha que resolver algo no balcão. Concordei, afinal que mal me faria essa atitude??? Mal sabia que esse ato se repetiria a cada meio segundo, ora ela me catucava para dizer que estava saindo da fila, ora para dizer que estava voltando à fila. Enfim, preferi guardar o meu livro de qualquer hora na bolsa.

Tentando me distrair, para ver se o tempo passava mais depressa, comecei a prestar atenção aos movimentos e conversas das pessoas, percebi que há vida dentro da morbidez da fila do banco. As pessoas se entregam a conversas mais diversas, é como se fosse um grande divã da estressante rotina urbana, ouvi sobre a crise financeira americana, o preço elevado da cesta básica, o BBB9 ao mesmo tempo que uma mulher contava empolgada a outras o fim do seu casamento, por coincidência ou não, todas as mulheres daquele grupo também tinham estórias de suas tragédias matrimoniais para contar. E elas nem se conheciam antes, quase ninguém estava acompanhado, as companhias surgiram ali, na hora, na tensão do desfecho da fila.

Estava ficando empolgada com aquilo tudo, quando um senhor, de uns 65 anos, eu acho, começou a dar um show a parte na entrada do banco, pois queria pegar a senha para entrar na fila de prioridade. O guarda, que acabara de chegar de seu almoço, explicava-lhe, com toda a paciência do mundo, que a máquina não estava funcionando aquele dia e que ele deveria dirigir-se diretamente ao caixa reservado aos clientes prioritários. Mas isso parecia em vão, o senhor parecia não ouvir o discurso do guarda. De tanto ouvir reclamações, o guarda deu-se por vencido e deixou o senhor pegar a senha. Realizado o seu desejo, o senhor dirigiu-se a fila, imediatamente visualizou o painel apagado, e começou um novo show. Foi até a caixa, gritou com a jovem moça e perguntou por que o painel não acendia, uma vez que ele estava com a senha da prioridade. Era seu direito ter senha. A moça, pacientemente, lhe explicou que o painel estava com defeito e blá blá blá ... a mesma ladainha que fora explicada pelo guarda. O velhinho, não contente, rasgou a senha e fez a maior malcriação. Ficou na fila de cara emburrada. Depois de alguns minutos, finalmente chegou a sua vez de ser atendido (e eu, muito fofoqueiramente, acompanhando tudo... he he he), pediu à caixa para tirar R$12,00, não tinha saldo, reduziu para R$10,00, e nada ... e assim foi .. R$8, R$6, R$5 e nada, nada, nada ... até que pediu R$4,00, mas também não tinha saldo, começou uma nova reclamação, disse que iria diretamente ao caixa eletrônico, pois o banco estava lhe roubando.

Foi ao caixa eletrônico, descobriu que realmente não tinha saldo, fez uma cara de profunda decepção e foi embora, desta vez, sem reclamar.



Um comentário:

  1. pior que essa história sempre acontece de verdade.!
    sempre tem uma confusãozinha que nos gostamos de ver.!
    a-d-o-r-e-i
    bjs&meliga

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